Confesso que depois da palestra me animei muito com a vaga e após a primeira entrevista, saí super desanimada. O problema é que o programa Unico Academy diz que busca pessoas com perfil acadêmico para (nas palavras deles) "liderarem ações de expansão da empresa e contribuírem para as iniciativas de colaboração academia-empresa." No entanto, o tempo todo da entrevista, o entrevistador estava preocupado em saber sobre minhas habilidades técnicas e sobre como eu faria para atuar em uma área que não fosse a minha de "estudo". Um pesquisador passa anos se aprofundando em uma área de pesquisa, nem todas estarão diretamente ligadas aos produtos da empresa, mas no email era o que dizia. A minha pesquisa, por exemplo, está muito alinhada a um dos produtos da empresa, mas não envolve programação, visto que fui para um lado mais gerencial. Tenho a mais absoluta certeza que tenho todas as habilidades necessárias para liderar ações de expansão em ações de colaboração academia-indústria. No entanto, nada disso foi explorado ao longo das entrevistas. Além disso, quando perguntei se a empresa tinha uma área de pesquisa, me foi dito que não. Como meu potencial de pesquisa vai ser utilizado? Essas ações de colaboração que são vendidas na palestra parecem mais para atrair os alunos para o processo seletivo, mas depois disso, o cargo nada mais é que para programador como em todas as outras empresas. Quando perguntei o que era esperado e qual o perfil buscado, me foi dito que havia vários projetos e vários perfis. Foi divulgada uma vaga genérica, com termos misturados. Acho que faltou um pouco de transparência e ética nesse sentido, o que faz candidatos e recrutadores desperdiçarem tempo. Uma empresa que prega na sua palestra a honestidade como um de seus valores e daí já na entrevista parece não ser honesta, parece ser um ambiente tóxico para se trabalhar no fim das contas.